Posso dizer
que fui um garoto muito curioso pelo mundo da leitura, o que me ajudou a
adquirir este hábito. Antes mesmo de aprender a ler e escrever, perguntava para
os meus pais e avós o que estava escrito em placas, muros e cartazes. Ao entrar
na pré-escola e aprender a ler, a curiosidade aumentou ainda mais, pois adorava
as histórias contadas pela professora e as feiras de livros que aconteciam na
escola – a única coisa que me deixava triste é que meus pais não podiam comprar
os livros que eu gostava. Uma vez, fui surpreendido por minha tia Giovana, que
também era professora na escola que estudava, e me presenteou com um livro. Senti-me
muito feliz com aquele presente.
Quando fui
para a 1ª série, o contato com o mundo da leitura aumentou ainda mais, pois passei
a frequentar a biblioteca da escola com frequência. A bibliotecária, dona
Francisca, era uma pessoa muito atenciosa e nos indicava vários livros para
ler. Com o passar do tempo, tive várias experiências de leitura, como uma
proposta pela professora Ilda, na 3ª série: a leitura, em duplas, do livro “Meu
pé de laranja lima” em um lugar da escola que nós podíamos escolher (o meu foi
em baixo de uma árvore!). A partir de então, passei a ler vários livros da
série vaga-lume, como “A ilha perdida”, “A serra dos dois meninos”, “Barcos de
papel”, entre outros.
Nos anos
finais do ensino fundamental e no ensino médio, meu interesse pela leitura
havia diminuído, pois deixei os livros um pouco de lado e passei a ler jornais
e revistas com mais frequência. Lembro que neste período lia os livros exigidos
pelos professores e em poucas ocasiões procurava uma leitura de livros por
prazer. Um fato muito triste desta época é que, na escola que cursei o 3º ano
do ensino médio, os alunos do período noturno não podiam frequentar a
biblioteca por não haver um funcionário responsável pelo local neste horário.
Só voltei a
ter um contato íntimo com os livros na faculdade de Letras. Durante os quatro
anos de curso tive um excelente professor de literatura, o professor Pina. Ele
foi um dos responsáveis por eu ter resgatado o gosto pela leitura.
No meu
dia-a-dia de sala de aula, sempre me lembro das experiências de leitura boas (e
também da ruins!) que vivenciei, tentando muitas vezes copiá-las e
aperfeiçoa-las com meus alunos. Assim, acredito que no futuro eles também possam
se lembrar de suas experiências e, quem sabe, perpetuá-las pelas próximas
gerações.
Joni S. Guapo
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