Minha experiência com a leitura foi muito cedo, minha mãe era professora do Mobral, ela lecionava na nossa casa, todas as noites a sala da minha casa se transformava em uma sala de aula, eu tinha por volta de uns quatro anos, enquanto minha mãe alfabetizava os alunos, eu rabiscava e ouvia os mesmos soletrando, curiosa, ficava quieta prestando bastante atenção.
Ficava encantada quando eles conseguiam depois de soletrar, juntas as sílabas e pronunciar as palavras, eu pensava como é bonito, ficava me perguntando também quero aprender a ler e escrever como eles. Um dia pedi para minha mãe me ensinar que eu queria aprender a ler e escrever, minha mãe ficou surpresa, porém feliz, ela falou vou passar o dever para os alunos e passo as letras do alfabeto para você, fiquei eufórica, mas precisava esperar, quando ela terminou a atividade com eles, ela começou a escrever as letras do alfabeto e me mostrar, pediu para que eu contornasse o alfabeto que ela escrevia em letras maiúsculas, ao decorrer do tempo fui aprendendo a escrever e ler.
Quando cheguei na primeira série, a maior parte dos meus coleguinhas não sabiam ler, e nem escrever ainda, eu comecei a ler o que a professora Regina escrevia na lousa, ela ficou surpresa com a forma que eu lia.
Naquela época era cartilha, a escola que eu estudava era muito pobre, pois era no sítio, não tinha biblioteca, só líamos a nossa cartilha, eu sempre pedia para ler, pois gostava muito, a professora pedia para quem tivesse algum livro em casa levar para a escola, era difícil alguém ter, pois a nossa cultura não de ganharmos livros quando pequenos de aniversário.
Mais tarde quando fui estudar na cidade fiquei encantada quando a professora nos levou para conhecer a biblioteca, aquele ambiente tinha um cheiro diferente, parece que os livros se movimentavam com a nossa presença, a professora escolheu um livro e fez uma leitura compartilhada, depois da leitura ela pediu para que escrevêssemos o que lemos, foi fantástico!
Hélia Vanuza
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