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Cyber Leitura
Este Blog faz parte do curso "Melhor Gestão, Melhor Ensino", oferecido pela Secretaria da Educação do Estado de São Paulo. O Blog tem como objetivo conectarmos e aprimorarmos nossos conhecimentos educacionais na Era Tecnológica.
sexta-feira, 21 de junho de 2013
Sequência Didática
Crônica: Pausa (Moacyr Scliar)
Público-alvo: Funcionários da Bolsa de Valores
Iniciar a dinâmica com o grupo em círculo. Começar a reprodução de uma sonata de Beethoven.
Solicitar que cada um feche seus olhos para escutar o silêncio. Ao término da música, socializar perguntando que palavra sintetizaria cada sentimento aflorado.
Após a sensibilização, ler o texto, sem mencionar o título, propondo uma leitura dirigida com inquirições (Coloque-se no lugar do Samuel. Como ele se sente? O que chama a atenção no comportamento excêntrico de Samuel? Você já se evadiu?)
Terminada a interação, a conclusão: Cada um deve se olhar. Qual é o limite de cada um? Onde queremos chegar com tanta pressa? E por que pressa? Qual a importância do humor no nosso dia-a-dia? Rir de si mesmo em situações inusitadas?! Hoje você já deu um sorriso ao seu filho? Já beijou sua esposa hoje? Se não fez isso, faça! Permita-se. Finalmente, o título é revelado: PAUSA.
Para finalizar, a música Paciência, de Lenine.
José Marcos
segunda-feira, 17 de junho de 2013
Sequência didática
PAUSA
Moacyr Scliar
Às sete horas o despertador tocou. Samuel saltou da cama,
correu para o banheiro, fez a barba e lavou-se. Vestiu-se rapidamente e sem
ruído. Estava na cozinha, preparando sanduíches, quando a mulher apareceu,
bocejando:
- Vais sair de novo, Samuel?
Fez que sim com a
cabeça. Embora jovem, tinha a fronte calva; mas sobrancelhas eram espessas, a
barba, embora recém feita, deixava ainda no rosto uma sombra azulada. O
conjunto era uma máscara escura.
- Todos os domingos tu sais cedo -
observou a mulher com azedume na voz.
- Temos muito
trabalho no escritório – disse o marido, secamente.
Ela olhou os sanduíches:
- Por que não vens
almoçar?
- Já te disse: muito trabalho. Não há tempo. Levo um
lanche.
A mulher coçava a axila esquerda. Antes que voltasse
a carga, Samuel pegou o chapéu:
- Volto de noite.
As ruas ainda estavam úmidas de cerração. Samuel
tirou o carro da garagem. Guiava vagarosamente, ao longo do cais, olhando os
guindastes, as barcaças atracadas.
Estacionou o carro numa
travessa quieta. Com o pacote de sanduíches debaixo do braço, caminhou
apressadamente duas quadras. Deteve-se ao chegar a um hotel pequeno e sujo.
Olhou para os lados e entrou furtivamente. Bateu com as chaves do carro no
balcão, acordando um homenzinho que dormia sentado numa poltrona rasgada. Era o
gerente. Esfregando os olhos, pôs-se de pé.
- Ah! Seu Isidoro! Chegou mais cedo hoje. Friozinho
bom este, não é? A gente...
- Estou com pressa, seu Raul! – Atalhou Samuel.
- Está bem, não vou
atrapalhar. O de sempre. – estendeu a chave.
Samuel subiu quatro lanços de uma escada vacilante.
Ao chegar ao último andar, duas mulheres gordas, de chambre floreado,
olharam-no com curiosidade.
- Aqui, meu bem!
- Uma gritou e riu: um
cacarejo curto.
Ofegante, Samuel entrou
no quarto e fechou a porta à chave. Era um aposento pequeno: uma cama de casal,
um guarda-roupa de pinho; a um canto, uma bacia cheia d’água, sobre um tripé.
Samuel correu as cortinas esfarrapadas, tirou do bolso um despertador de
viagem, deu corda e colocou-o na mesinha de cabeceira.
Puxou a colcha e examinou os lençóis com o cenho
franzido; com um suspiro, tirou o casaco e os sapatos, afrouxou a gravata.
Sentado na cama comeu vorazmente quatro sanduíches. Limpou os dedos no papel de
embrulho, deitou-se e fechou os olhos. Dormir.
Em pouco dormia. Lá embaixo a cidade começava a
mover-se: os automóveis buzinando, as jornaleiras gritando, os sons longínquos.
Um raio de sol filtrou-se pela cortina, estampou um
círculo luminoso no chão carcomido. Samuel dormia; sonhava. Nu, corria
por uma planície imensa, perseguido por um índio montado a cavalo. No quarto
abafado ressoava o galope. No planalto da testa, nas colinas do ventre, no vale
entre as pernas, corriam. Samuel mexia-se e resmungava. Às duas e meia da tarde
sentiu uma dor lancinante nas costas. Sentou-se na cama, os olhos esbugalhados:
o índio acabava de trespassá-lo com a lança. Esvaindo-se em sangue, molhado de suor,
Samuel tombou lentamente; ouviu o apito soturno de um vapor. Depois, silêncio.
Às sete horas o despertador tocou. Samuel saltou da
cama, correu para a bacia, lavou-se. Vestiu-se rapidamente e saiu.
Sentado numa poltrona, o gerente lia
uma revista.
- Já vai, seu Isidoro?
- Já – disse Samuel, entregando a chave. Pagou,
conferiu o troco em silêncio.
- Até domingo que vem, seu Isidoro – disse o
gerente.
- Não sei se virei – respondeu Samuel, olhando pela
porta; a noite caía.
- O senhor diz isto, mas volta sempre – observou o homem,
rindo. Samuel saiu.
Ao longo do cais guiava
lentamente. Parou, um instante, ficou olhando os guindastes recortados contra o
céu avermelhado. Depois, seguiu. Para casa.
Objetivo: Formar
alunos bons e leitores e excelentes escritores.
Público alvo: 9º ano (uma classe boa, porém falante).
1º passo: Leitura compartilhada do texto
para ativação de conhecimento de mundo, conhecimento prévio dos alunos.
2º passo: Perguntar para eles se
conhecem a palavra Pausa, o que significa essa palavra?
3º passo: Explicar o gênero crônica e suas
características.
4º passo: Leitura silenciosa, grifando as
palavras desconhecidas do texto.
5º passo:
Utilização do dicionário para localizar o significado das palavras
desconhecidas.
6º passo:
Discussão oral sobre o texto “Pausa”.
7º passo: Pedir
para que os alunos redijam um parágrafo argumentando se gostaram ou não do
texto.
domingo, 16 de junho de 2013
"Receita para o beijo perfeito"
A receita a seguir foi elaborada no encontro presencial do curso pelos professores Joni, Elaine, Mariana, Oscarina, Mônica e Jacira. Ela faz parte da sequência de atividades propostas com o texto "Meu primeiro beijo". Leia e divirta-se!
“Receita
para o beijo perfeito”
Ingredientes:
1
xícara de desejo
2
xícaras de paixão
1
xícara de sedução
1
colher (sopa) bem cheia de charme
1
pitadinha de malícia, ou a quantidade que desejar
Modo
de preparo:
Num lugar agradável, com uma pessoa especial, em um dia
perfeito, acrescente todos os ingredientes. Misture bem e deguste com prazer do
seu beijo perfeito!
"Meu primeiro beijo" - Antonio Barreto
Meu Primeiro Beijo
É
difícil acreditar, mas meu primeiro beijo foi num ônibus, na volta da escola. E
sabem com quem? Com o Cultura Inútil! Pode? Até que foi legal. Nem eu nem ele
sabíamos exatamente o que era "o beijo". Só de filme. Estávamos
virgens nesse assunto, e morrendo de medo. Mas aprendemos. E foi assim...
Não
sei se numa aula de Biologia ou de Química, o Culta tinha me mandado um dos seus
milhares de bilhetinhos:
"Você
é a glicose do meu metabolismo.
Te
amo muito!
Paracelso"
E
assinou com uma letrinha miúda: Paracelso. Paracelso era outro apelido dele.
Assinou com letrinha tão minúscula que quase tive dó, tive pena, instinto
maternal, coisas de mulher... E também não sei por que: resolvi dar uma chance
pra ele, mesmo sem saber que tipo de lance ia rolar.
No
dia seguinte, depois do inglês, pediu pra me acompanhar até em casa. No ônibus,
veio com o seguinte papo:
- Um
beijo pode deixar a gente exausto, sabia? - Fiz cara de desentendida.
Mas
ele continuou:
-
Dependendo do beijo, a gente põe em ação 29 músculos, consome cerca de 12
calorias e acelera o coração de 70 para 150 batidas por minuto. - Aí ele tomou
coragem e pegou na minha mão. Mas continuou salivando seus perdigotos:
- A
gente também gasta, na saliva, nada menos que 9 mg de água; 0,7 mg de albumina;
0,18 g de substâncias orgânica; 0,711 mg de matérias graxas; 0,45 mg de sais e
pelo menos 250 bactérias...
Aí o
bactéria falante aproximou o rosto do meu e, tremendo, tirou seus óculos, tirou
os meus, e ficamos nos olhando, de pertinho. O bastante para que eu descobrisse
que, sem os óculos, seus olhos eram bonitos e expressivos, azuis e brilhantes.
E achei gostoso aquele calorzinho que envolvia o corpo da gente. Ele beijou a
pontinha do meu nariz, fechei os olhos e senti sua respiração ofegante. Seus
lábios tocaram os meus. Primeiro de leve, depois com mais força, e então nos
abraçamos de bocas coladas, por alguns segundos.
E de
repente o ônibus já havia chegado no ponto final e já tínhamos transposto,
juntos, o abismo do primeiro beijo.
Desci,
cheguei em casa, nos beijamos de novo no portão do prédio, e aí ficamos apaixonados
por várias semanas. Até que o mundo rolou, as luas vieram e voltaram, o tempo
se esqueceu do tempo, as contas de telefone aumentaram, depois diminuíram...e foi
ficando nisso. Normal. Que nem meu primeiro beijo. Mas foi inesquecível!
BARRETO,
Antonio. Meu primeiro beijo. Balada do primeiro amor. São Paulo: FTD, 1977. p.
134-6.
Referência bibliográfica:
Sequência didática do texto “Meu primeiro beijo”, de Antonio Barreto
Meu primeiro beijo - Antonio Barreto
Público-alvo: 8º ano, sala desinteressada e pouco
participativa.
Primeiro
momento: Apresentar o
título do texto e, logo após, fazer os seguintes questionamentos:
-
Quem já teve seu primeiro beijo?
-
Como foi?
Roubado??
Combinado??
Escondido??
Na rua??
Na escola??
Após
os questionamentos e a discussão, propomos a exibição do vídeo “Beijos de Cinema (Marisa Monte – Beija Eu)”,
disponível no youtube:
Segundo
momento: Leitura
compartilhada do texto, podendo ser iniciada pelo professor e continuada pelos
alunos.
Terceiro
momento: Após a leitura
do texto, será realizada a interpretação oral com um debate em torno da
seguinte questão: “Para você, o que simboliza o beijo?”
Quarto
momento: Dando
continuidade a sequencia de atividades, os alunos serão organizados em duplas
para a produção de uma “receita poética” contendo os ingredientes necessários
para um “beijo perfeito”. Esta etapa visa contemplar o gênero textual “receita
culinária”, pertencente a tipologia “prescrever”, estudado pelos alunos desta
série/ano.
Quinto
momento: Leitura e
exposição das receitas entre os alunos da sala. Montagem de um mural com o
texto “Meu primeiro beijo”, fotos e imagens relacionadas ao tema e as receitas
produzidas pelos alunos.
A exposição desta
atividade é uma forma de valorizar o trabalho feito em sala de aula pelos
alunos. Por se tratar de uma turma desinteressada e desmotivada, esta pode ser
uma forma de torna-los mais participativos e motivados com os estudos.
Joni S. Guapo
Avestruz - Mário Prata

Culpado, fui até o local saber se eles vendiam filhotes de avestruz. E se entregavam em domicílio.
E fiquei a observar a ave. Se é que podemos chamar aquilo de ave. O avestruz foi um erro da natureza, minha amiga. Na hora de criar o avestruz, Deus devia estar muito cansado e cometeu alguns erros. Deve ter criado primeiro o corpo, que se assemelha, em tamanho, a um boi. Sabe quanto pesa um avestruz? Entre 100 e 160 quilos, fui logo avisando a minha amiga. E a altura pode chegar a quase 3 metros - 2,70 para ser mais exato.
Mas eu estava falando da sua criação por Deus. Colocou um pescoço que não tem absolutamente nada a ver com o corpo. Não devia mais ter estoque de asas no paraíso, então colocou asas atrofiadas. Talvez até sabiamente para evitar que saíssem voando em bandos por aí, assustando as demais aves normais.
Outra coisa que faltou foram dedos para os pés. Colocou apenas dois dedos em cada pé. Sacanagem, Senhor!
Depois olhou para sua obra e não sabia se era uma ave ou um camelo. Tanto é que, logo depois, Adão, dando os nomes a tudo o que via pela frente, olhou para aquele ser meio abominável e disse: Struthio camelus australis. Que é o nome oficial da coisa. Acho que o struthio deve ser aquele pescoço fino em forma de salsicha.
Pois um animal daquele tamanho deveria botar ovos proporcionais ao seu corpo. Outro erro. É grande, mas nem tanto. E me explicava o criador que os avestruzes vivem até os 70 anos e se reproduzem plenamente até os 40, entrando depois na menopausa. Não têm, portanto, TPM. Uma fêmea de avestruz com TPM é perigosíssima!
Podem gerar de dez a 30 crias por ano, expliquei ao garoto, filho da minha amiga. Pois ele ficou mais animado ainda, imaginando aquele bando de avestruzes correndo pela sala do apartamento.
Ele insiste, quer que eu leve um avestruz para ele de avião, no domingo. Não sabia mais o que fazer.
Foi quando descobri que eles comem o que encontram pela frente, inclusive pedaços de ferro e madeiras. Joguinhos eletrônicos, por exemplo. Máquina digital de fotografia, times inteiros de futebol de botão e, principalmente, chuteiras. E, se descuidar, um mouse de vez em quando cai bem.
Parece que convenci o garoto. Me telefonou e disse que troca o avestruz por cinco gaivotas e um urubu.
Pedi para a minha amiga levar o garoto a um psicólogo. Afinal, tenho mais o que fazer do que ser gigolô de avestruz.
Referências Bibliográficas:
* http://revistaquem.globo.com/Revista/Quem/0,,EMI45408-9531,00-AVESTRUZ.html
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